sorriso de sonhos

Traz teu sorriso de sonhos
E traz tuas cores pr'eu colorir
Uma vida tão gris!

Traz teus desejos insólitos
E um pincel que é pr'eu pintar
Uma flor sem raíz
Uma estrela sem céu
Um sujeito infeliz...

E vem tirar
Todo o equívoco de amar
E vem funcionar
Como magia que não dá pra explicar

Se eu te peço uma cor
Tu me traz um arco-íris
E me faz
uma surpresa maior
Traz um risco de paz
Com um pote de amor
E nós dois, tão iguais
Convergentes no andor
Verde, branca e lilás
Tu és mais, furtacor




Ajudando

Maldito seja esse sol!
Que me acorda, que me esquenta
Que me inebria, que me encanta
Me lembra uma mal dita tequila
Que me disseram, não há lembrança

Se fosse em um bendizer,
À esperança da recordação diria:
Que raiva tenho do amanhecer
Que me faz esquecer da folia!
Eu, aflita fico. Ele descansa

Procuro pistas em mim...
Quanto mais acho na pele,
Mais quero tirar da cabeça!
O fogo do sol se espairece
E o fogo o corpo me amansa

Outrora falava do sol,
Pareço ter sido enganada
Se não lembrava o seu nome
Houve uma prosopopeia...
E não falta de temperança

Mal visto seja esse sol!
De dia, me acorda
De noite, mantém-me acordada
De dia, me deixa cansada
De noite, me inebria
À manhã, não sabe quem sou
E à noite, só sabe de mim

Não sei porque faço isso
Me entrego ao vício líquido
Se o que me tocou foi o sol
Meu corpo não é mais insípido
Sou toda feita de carne
Sou toda feita de vício
Um vídeo de memórias passando
Fotografias e constragimento...
Agora eu me lembro!

Me lembro de esquecer.

Imensidão

A7
A imensidão
A imensidão do ar
C#m
Chora por saber
Bm E
Que eu não vou te achar

Toda claridão
Que existe em seu olhar
Cora o meu céu
Difuso fico a te esperar

Se me diz um não
Passa então a se culpar
Flora, fauna, fel
Ficam fingindo ficar

F#m Bm C#m
Amando como um príncipe
Que não sou
Ficam falando que o amor
é de quem sonhou

Bm Bm/A G#º F#m F#7

Ela vaporiza sonhos
inúteis de se alcançar
Pensamentos enfadonhos
cansados de se tornarem ar

Vestida com seu amor
me engana que vai perdurar
essa máscara de flor
disposta a se acostumar

com o céu


Outono

poderia tomar mil aguardentes
e até beber cem mil atitudes
beberei até ficar a mercê
de minha própria indagação
pra mim, é tanto porque
feito deste aqui pra um coração
que de porta em porta, batido
se esquece da discursão
e que amar quem não se pode
é feio, e leva a prisão

que leva a prisão que nada!
só o que te é retirado é a leveza
mas isto tu encontra em outros olhos
nos da eleita que tanto procura
nos da perfeita de formosura
a musa de teus carinhos
a cobradora de usura
merecedora de reclames
inveja de todas as damas
espero que não profanes
tua mente, mentindo que a amas!

e ama, ama, ama, ama!

e já amavas há tanto tempo
só não havia selado no cartório

Auto-depreciação

Não faço o certo, não uso o verão
Não calo em vão, não me digo não
Sou o próprio erro ao acaso,
Um lixo voando pro espaço
Em busca de enlouquecer de vácuo
De precisar de ar
Não busco em qualquer lugar

Sou o tal que todas falaram
O "monsieur de chansons"
O feitor de refrões
Refeição de freios de amor
O próprio rei da dor

Não busco amparo nem nas palavras alheias
Nem nas belas palavras

Calmo

Tristeza que exalei, me deixou tão calmo
Tão calmo, tão apaziguado
Desanuviei os pensamentos
E esqueci de chorar
Esqueci dos tormentos
E pensei em pensar

Chorei por pensar, te vi em desprezo
Com olhos virados, perdi os meus
Encontrei os teus num balde de devoluções
Todos os presentes, carinhos e palavras
Tropeços e mancadas não valerão mais!

Sou o pobre de novo!
Sou o vago
Sou O
Falta de exclamação, só vejo perguntas
E pontos finais, seus.

(...)

Ela quis dizer que você não ia me fazer crescer
Que você não quer me ver feliz
Mas eu não quero isso
Eu quero desaparecer

Quero s
u

m


i



r



Eu tanto que eu que eu vou mas será pelo meu bem
Vou desaparecer

Fluir na minha fumaça
Sorrir da minha desgraça

Trêmulos pensamentos de uma rede solitária
Me acompanham gatos traídos por um erro de impulsividade
Não sou eu o impulsivo
Não sou eu o compulsivo

Meticulosamente tento não errar
Sou eu o compulsivo

Tenho compulsão por amar